Hoje em dia, muito tem sido falado sobre o machismo e suas consequências, extremamente perigosas e fatais para as mulheres em nossa sociedade.

Muitos homens são contra a ampliação dessa discussão, consideram tudo “mimimi”, não sabendo analisar as coisas de maneira crítica e responsável, para só então, depois disso, formular uma opinião sobre o assunto, sem ferir os direitos humanos de ninguém.

Para tornar esse assunto mais claro e mais próximo do contexto masculino, nós trazemos hoje a seguinte pergunta: você sabe mesmo o que é machismo?

Temos uma definição clara na cabeça. Sabemos que é algo negativo, uma característica ruim que carregamos e as mulheres passaram a apontar com uma frequência maior do que nunca. E passar por isso repetidas vezes pode ser um verdadeiro incômodo quando você não sabe exatamente do que se trata, e nem de onde isso se originou.

Para que a gente consiga identificar o machismo em nossas atitudes e nos tornarmos homens mais respeitosos e empáticos, é preciso conhecer e compreender a lógica de uma sociedade amparada em alicerces machistas e patriarcais. Isso, antes de mais nada, é conhecimento. Algo que não tem lado e nem deve ser ignorado por motivo algum.

machismo

Não se trata de posicionamento político, de perda de masculinidade ou deixar as mulheres vencerem (até porque, isso não é uma competição). Trata-se de sair do seu lugar comum, do seu espaço confortável, abaixar a guarda e ouvir o que um grupo imenso de pessoas está passando e nós não. Adquirir conhecimento, analisar os fatos e depois construir uma opinião.

É assim que um Macho de Verdade deve agir: sem pré-conceitos, sem conservadorismo. E, principalmente, sem manter uma cultura que também é prejudicial para nós. O machismo também nos afeta de diversas maneiras. Hoje nós vamos te explicar como isso funciona.

Afinal, o que é machismo?

Quando pensamos sobre o que é machismo, tendemos a pensar nele reproduzido em condutas individuais. Dificilmente vemos o machismo como um problema estrutural que vem desde os primórdios de nossa sociedade.

Porém, a prática de transformar a diferença entre os gêneros masculino e feminino em desigualdades partiu da classe dominante, para que governar fosse ainda mais fácil e todo o poder de ação estivesse concentrado nas mãos do homem branco e letrado.

Assim, era reforçada a supremacia masculina, super valorizando o seu poder, em detrimento dos direitos das mulheres. Criou-se um sistema sólido de ideias e condutas, passado de pai para filho, para manter a dominação e ampliar a exploração.

A principal ideia do machismo é a de que as mulheres são inferiores aos homens e, por isso, não podem assumir determinadas tarefas ou determinados comportamentos.

machismo

Nós sabemos que não há nenhum registro científico de que as mulheres sejam inferiores aos homens. Absolutamente nenhum. Elas só são diferentes. E é assim que nasce uma opressão em qualquer âmbito social: inferiorizando e discriminando a diferença.

Através dessa ideologia, pensamentos como “as mulheres só devem ficar no lar, para cuidar dos filhos, do marido e da casa” ampliaram-se de tal forma que tornaram-se verdade absoluta.

Homens cresceram ouvindo essas coisas e passaram para os seus filhos. O machismo foi naturalizado pelas famílias, pela mídia, pela sociedade e, até certo ponto, inclusive pelas mulheres.

Aquilo se tornou uma verdade tão absoluta que elas começaram a achar que seus lugares na sociedade já estavam previamente estabelecidos, de fato.

Acreditavam que não eram boas o bastante para desempenhar determinadas funções. Podavam seus desejos para seguir um padrão estabelecido por homens. E seus corpos só existiam para deleite masculino. E por muitos e muitos anos, foi assim que nossa sociedade caminhou.

O machismo escancarado em nossa sociedade

É visível que a sociedade que descrevo acima ainda ecoa na nossa sociedade de hoje em dia. Fomos consolidados enquanto país por uma elite machista, classista, hierarquizada, racista, paternalista, patriarcal, corrupta, hipócrita e autoritária. E acredite, isso não é exagero.

Sua estrutura está começando a mudar, sim, mas as mudanças mais parecem um verniz de democracia e direitos humanos por cima do chorume. E isso é reforçado por mim e por você, quando desmerecemos uma mulher e criticamos seus argumentos a favor da igualdade de gênero.

Observe a forma como as grandes notícias são tratadas no Brasil. Como a polícia e a mídia sempre duvidam da vítima e enaltecem seus agressores. Como as agências de publicidade ainda objetificam as mulheres em anúncios e propagandas. Como as mulheres ainda ganham cerca de 30% menos do que os homens, desempenhando as mesmas funções.

Como as mulheres são minorias em setores científicos e tecnológicos, por falta de incentivo e desmerecimento de sua capacidade intelectual. Como os números de casos de assédio, violência e assassinato de mulheres no Brasil estão entre os mais altos de todo o mundo. E mais de 80% dos crimes são cometidos por seus parceiros, atuais ou anteriores.

machismo

Pensar em condutas individuais é importante, reavaliar o nosso comportamento também, mas ter consciência dessa realidade é fundamental. Saber que é essa a realidade que as mulheres enfrentam nos dias de hoje torna essa discussão digna, necessária e passa longe de ser mimimi.

Ao utilizar esse tipo de argumento, você demonstra uma tremenda infantilidade, frieza e falta de noção. Depois, não vem reclamar que a mulherada não te dá moral, hein?

Quando o machismo me afeta?

Seguindo a linha do pensamento que estamos trazendo aqui, nossos comportamentos, desde os primórdios, eram todos voltados para a dominação. Isso que o homem era: dominante. Superior. E suas atitudes deveriam condizer com esse posto.

Existe todo um protocolo cultural de como um homem deve agir. E esse código de conduta que rege todo o nosso comportamento é o combustível histórico e valioso para o machismo.

Você sabe do que estamos falando. Enquanto criança, é mais ou menos assim: não chorar, não expressar sentimentos, não ser vaidoso, usar cores “de menino”, brincar de carrinho e brinquedos que incentivam a lógica e as habilidades manuais, etc.

Existe também o protocolo de como o homem adulto deve ser, agir, sentir e falar. Ser heterossexual, corajoso, forte, estar sempre pronto para o sexo, não demonstrar emoções, provedor, não erra, não desiste e não broxa.

Para tentar se livrar dessas amarras de comportamento, nós temos um artigo super válido: pode não parecer, mas broxar não faz de você menos macho. Vale a leitura.

machismo

Nós fomos moldados a uma série de comportamentos para nos validar como dominantes a todo momento, mesmo quando não temos nenhuma intenção de dominar absolutamente nada. Quantas vezes você já se pegou aumentando uma história, para ser aceito ou impressionar quem está ouvindo? Esse comportamento é muito mais comum do que você imagina.

Quantas vezes você já se sentiu intimidado para conversar com seus amigos sobre sua aparência? Quantas vezes você procurou soluções para seus problemas (emocionais e pessoais) na internet, por não ter coragem de falar com alguém sobre isso?

Essas e diversas outras prisões culturais geram tensões e perpetuam condutas que não beneficiam nem homens, muito menos mulheres. Não há vencedor quando o campo de batalha é o machismo.

O que podemos fazer para mudar esse quadro?

Existem várias atitudes que podem mudar o quadro violento de machismo no Brasil. Você e eu podemos até não fazer parte da porcentagem que agride mulheres, mas assobiamos para elas na rua, intimidamos elas a noite fazendo algum tipo de cantada, damos visualizações para fotos íntimas vazadas na internet, agimos de forma manipuladora ou abusiva em nossos relacionamentos, exigimos delas padrões estéticos irreais…

Mudando esses comportamentos e muitos outros, semelhantes a esses, já estamos dando passos largos rumo à uma sociedade mais igualitária e justa.

machismo

Romper com estereótipos de gênero também é uma maneira efetiva de combater o machismo. Essa é a nossa ideia aqui no Macho de Verdade: mostrar que você pode ser muito mais do que o que te é imposto, você pode pensar fora da caixinha, você não precisa desempenhar papel algum só porque é homem. Romper, e não perpetuar esses estereótipos é uma atitude revolucionária.

Se você se identificou com essa questão e com sua seriedade e urgência, ajude outros homens a refletirem sobre essa construção. Um homem só ouve esse tipo de coisa vindo de outro homem. Dessa forma, você será responsável por sua conscientização.

E, acima de tudo, ouça as mulheres com quem você convive. Não desmereça ou desacredite das coisas que ela fala, principalmente quando se trata de alguma experiência pessoal.

Dê valor para o que ela tem a dizer. Não coloque sua experiência como maior ou mais relevante que a dela. Não a trate nunca como inferior ou subordinada, mesmo em posições de hierarquia. 

E você, leitor?

O que você pensa sobre essa discussão? Qual o seu posicionamento quando esse assunto surge em uma conversa com amigos, com a namorada ou com o pessoal do trabalho? Como você age quando uma mulher aponta algum comportamento machista em você?

Você acredita que nós temos um papel fundamental na luta contra o machismo, ou acha que não podemos fazer nada para a ajudar? Compartilhe com a gente sua opinião, fale pra gente nos comentários o que você pensa sobre esse assunto tão polêmico!

machismo

1
Deixe um comentário

avatar
1 Comment threads
0 Thread replies
0 Followers
 
Most reacted comment
Hottest comment thread
0 Comment authors
Violência contra a mulher: homens unidos no combate Recent comment authors
  Subscribe  
newest oldest most voted
Notify of
trackback

[…] machismo está fora de moda há muito tempo. Não existe mais esse negócio de “isso é coisa de mulher” […]