Quando ouvimos falar de sífilis, a impressão que temos é que trata-se de algo distante. Afinal, somos homens adultos, nos preocupamos com nossa saúde e prezamos o sexo seguro. Certo?

sífilis

Errado. Pelo visto, não é bem assim não…

O número de casos de sífilis (doença sexualmente transmissível provocada por uma bactéria) vem aumentando no Brasil. Este ano, o Ministério da Saúde divulgou que o país vive uma nova epidemia de sífilis. E, segundo Adele Benzaken, diretora do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, esse aumento não é uma exclusividade brasileira. Trata-se de um problema global.

As gestantes constituem um dos grupos de maior risco. Os casos de sífilis congênita (transmissão da mãe grávida com sífilis para o bebê) cresceram de forma espantosa. A taxa de bebês com sífilis congênita em 2015 foi de 6,5 casos a cada mil nascidos vivos – 13 vezes mais do que é tolerado pela Organização Mundial de Saúde e 170% a mais do que o registrado em 2010.

O que é sífilis?

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A sífilis é uma doença muito antiga e ficou conhecida no século 14, na Europa. O termo sífilis originou-se de um poema, com 1.300 versos, escrito em 1530 pelo médico e poeta Girolamo Fracastoro em seu livro intitulado Syphilis Sive Morbus Gallicus (“A sífilis ou mal gálico”). Ele narra a história de Syphilus, um pastor que amaldiçoou o deus Apolo e foi punido com o que seria a doença sífilis.

Também chamada de cancro duro, a sífilis é causada pelo contágio com a bactéria treponema palidum, que pode ser transmitida facilmente por meio do contato com feridas ou lesões de pessoas infectadas, através de transfusões sanguíneas e durante a gravidez ou parto, da mãe para o filho.

A infecção causa o aparecimento de uma ferida nos órgãos sexuais. Ela se caracteriza por ter bordas elevadas e avermelhadas. Esses sintomas podem desaparecer no estágio mais avançado da doença. Depois de semanas ou meses, podem aparecer manchas no corpo, especialmente nos pés e mãos.

Se não tratada, a sífilis pode provocar paralisia, cegueira, problemas cerebrais, respiratórios e cardíacos. Ela ainda pode facilitar a transmissão de HIV, o vírus da AIDS.

A principal forma de transmissão da sífilis é pelo contato sexual e por isso o uso da camisinha é a melhor arma de prevenção.

Tratamento para sífilis

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O tratamento é relativamente simples, feito por antibióticos. A pessoa e seu parceiro devem ser tratados. O Sistema Único de Saúde (SUS) dispõe de um teste rápido, capaz de diagnosticar a doença em até 30 minutos. Ou seja, não tem desculpa.

Porém, há um fator para preocupação. A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que três das DSTs mais comuns estão ficando intratáveis: sífilis, clamídia e gonorreia. O problema é o uso inadequado e exagerado de medicamentos. As bactérias responsáveis por essas doenças estão se tornando cada vez mais resistentes aos antibióticos utilizados no tratamento.

A OMS recomenda uma mudança nos tratamentos para essas doenças, como o uso do antibiótico certo para cada caso e em doses mais controladas do que se tem usado até agora.

Causa da epidemia

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Mas por que, em pleno ano de 2016, momento em que as informações são facilmente difundidas, os jovens estão cada vez mais conscientes e a importância do uso da camisinha já é conhecida por todos, por que uma doença de antigamente voltou a ser uma ameaça?

Um dos principais motivos é, ironicamente, o fato de a aids ter deixado de assustar. Com o sucesso dos tratamentos antirretrovirais, que afastaram da doença o rótulo de fatal, as gerações mais jovens relaxaram nos hábitos de prevenção.

Os jovens de 13 a 15 anos estão se protegendo menos na hora do sexo, segundo um levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2012, 75% dos entrevistados usaram preservativo em sua última relação sexual. No ano passado, apenas 66% fizeram uso da camisinha. O número só está diminuindo.

Pesquisas revelam que o uso de preservativos tem diminuído no Brasil nos últimos anos. Os dois motivos alegados pela maioria das pessoas é que a camisinha ‘reduz o prazer’ e que existe confiança no parceiro. Como resultado, o número de casos de DSTs voltou a crescer.

A diminuição do uso do preservativo não acontece apenas no Brasil. Ela é uma tendência global e está causando o reaparecimento de antigas DSTs nos Estados Unidos e na Europa.

Além da mudança comportamental da população, outro fator que contribuiu para a atual epidemia de sífilis é o desabastecimento da penicilina benzatina do mercado. Esse antibiótico é essencial para o tratamento de sífilis e está em falta em muitos postos de saúde e hospitais públicos.

Em janeiro, um levantamento feito pelo Ministério da Saúde apontou que 60,7% dos estados brasileiros relatavam desabastecimento de penicilina. Essa situação dificulta o tratamento de infectados. Também faltam recursos para o diagnóstico da doença, feito por exames laboratoriais.

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